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Confederação Nacional

dos Trabalhadores

na Saúde

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2ª CNSMu propôs 320 medidas para melhorar qualidade da saúde da mulher

Data: 21/08/2017 15:13:00
Crédito: Agência Brasil

A 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres - CNSMu, que reuniu cerca de 1.800 mulheres de todo o país, terminou neste domingo, 20, com uma mensagem clara ao governo “há necessidade de ações concretas que melhorem o atendimento na rede pública para a população feminina”. Além disso, o combate ao machismo e a violência de gênero foram duas demandas unânimes entre as participantes. Quase 320 propostas devem integrar o relatório final da Conferência, reunindo demandas apresentadas desde o começo do ano em conferências municipais, estaduais e, agora, referendadas em Brasília. Em 22 de setembro, a Comissão Nacional Organizadora se reunirá para produzir o relatório final, que será apresentado em outubro ao Conselho Nacional de Saúde - CNS.

A CNTS participou da Conferência representada pelas dirigentes Clotilde Marques, Claudeci Souza e Maria de Fátima Neves. A Confederação defendeu a luta das trabalhadoras na saúde por melhores condições de trabalho, além de ratificar posição contrária às reformas trabalhista e previdenciária, que afetam negativamente a situação da mulher no mercado de trabalho.

“A trabalhadora da saúde cuida dos pacientes, da família, e as vezes não tem tempo de se cuidar. Ela precisa ser alcançada por políticas públicas efetivas de atenção à saúde e proteção contra violência de gênero, disse Claudeci Souza. Segundo Clotilde Marques, “as mulheres devem ocupar os espaços de debate, principalmente este, que diz respeito à saúde de todas”. De acordo com Maria de Fátima Neves, “a contribuição da CNTS ao debate é conscientizar as trabalhadoras dos seus direitos, muitos deles ameaçados pelas propostas de reforma do governo. Queremos, sem dúvida, um SUS integral e universal para todos”, disse.

“As mulheres têm que lutar por um atendimento melhor. O que fizemos aqui, durante a Conferência, foi só mostrar como tem que ser esse atendimento”, comentou a coordenadora-geral do evento, a catarinense Carmem Lucia Luiz, que representa no CNS a União Brasileira de Mulheres - UBM e é enfermeira sanitarista. “Acredito que, no mínimo, tem de ser um atendimento que considere o segmento ao qual cada uma pertence, um atendimento mais integral, que veja a mulher como um todo, que considere e respeite a diversidade da nossa realidade”.

Para os presentes, ficou claro que a questão de gênero está intimamente ligada à saúde. As relações desiguais, com a desvalorização da mulher, favorecem violências física ou psicológica, que causam depressão, condições de subsistência inadequadas, lesões corporais e morte. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde - OMS contidos no Mapa da Violência 2015 - Homicídios de Mulheres no Brasil, para cada grupo de 100 mil mulheres brasileiras, eram 4,8 assassinatos, número que é o quinto pior entre os dados de 83 países. Em 33% desses feminicídios, ou 1.583 casos, parceiros ou ex-parceiros foram os autores. São quatro dessas mortes por dia no país.

“Machismo mata, causa doença, vira depressão, ou seja, é problema de saúde, sim. Por isso é importante uma política pública para o enfrentamento do conjunto das iniquidades”, disse o presidente do CNS, Ronald Santos.

Premiação - O parto que deveria ser um momento de alegria pela chegada do bebê pode se transformar um episódio marcado pela violência e humilhação. Isso ocorre quando a mulher é vítima da violência obstétrica. Com atividades para conscientizar e prevenir mulheres para que não sejam submetidas a essa situação, o Projeto TransformaDor: parir com amor, sem violência, foi premiado na 2ª Conferência Nacional de Saúde da Mulher.

Outros cinco projetos também receberam o prêmio da Organização Pan-Americana de Saúde - Opas em parceria com o Conselho Nacional de Saúde. Todas as experiências foram implementadas em unidades do Sistema Único de Saúde - SUS. Vinte e dois projetos foram inscritos para a premiação do Laboratório de Inovação sobre Participação Social na Atenção Integral à Saúde das Mulheres, da Opas, em parceira com o CNS. O objetivo é incentivar práticas inovadoras implementadas no SUS que resultem em melhoria do atendimento de saúde à população.

O Projeto TransformaDor foi desenvolvido pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Pará, sob a coordenação da professora Edna Barreto, e coleciona relatos de mulheres que, no momento do parto, ouviram da equipe de saúde frases como “na hora de fazer você não chorou, agora está chorando”, “não chora, se não, não vou te atender” ou “não chora porque, ano que vem, você está aqui”. Para conscientizar as mulheres sobre o que é a violência obstétrica e, a partir daí, empoderá-las para que não permitam que esse tipo de situação continuem ocorrendo, o TransformaDor criou um grupo de apoio às gravidas na unidade de pública de saúde da Pratinha, bairro na periferia de Belém.

O grupo realizou dez atividades preventivas com palestras e discussões na Pratinha ao longo de 2016. O público-alvo foram as mulheres negras, com participação também dos companheiros das grávidas e profissionais da unidade de saúde.

O projeto trabalho o conceito de violência obstétrica como toda forma de violência praticada pela mulher na gravidez, no parto, no pós-parto e em situação de abortamento. “Essa violência se materializa a partir de xingamentos, de abusos, de maus tratos, de procedimento inadequados. Segundo dados da Fundação Perdeu Abramo, uma em cada quatro mulheres sofre violência obstétrica no Brasil”, disse Edna Barreto.

A professora alerta que esse é um tipo de violência de gênero ainda pouco conhecida e que precisa ser trabalhada com as mulheres. Segundo Edna, o problema atinge, principalmente, as mulheres negras de periferias e pode trazer consequências graves e marcar a vida da mãe. “No momento em que a mulher está com uma fragilidade muito grande, ouvir esse tipo de argumento tem um impacto muito grande. Esse parto pode complicar, ela pode ter uma depressão pós-parto. Então, trabalho essa violência obstétrica como toda forma de opressão que se faz com a mulher nesse momento do parto”, explicou. (Com Correio Braziliense e Agência Brasil)