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Pobreza atinge 17 milhões de jovens brasileiros, revela estudo da Fundação Abrinq

Juventude

No ensejo das comemorações do Dia Internacional do Jovem Trabalhador, celebrado em 24 de abril, estudo publicado pela Fundação Abrinq revelou um cenário caótico em relação à juventude brasileira. Cerca de 40% de crianças e adolescentes vivem em situação domiciliar de pobreza, o que representa 17,3 milhões de jovens. Destes, 5,8 milhões, ou 13,5%, vivem em situação de extrema pobreza.

A realidade de 2018, porém, pode ser ainda pior. Durante a apresentação do estudo, a administradora executiva da Fundação Abrinq, Heloisa Oliveira, destacou que o impacto da política de cortes de investimentos – Emenda Constitucional 95 – adotada pelo governo Michel Temer ainda não foi medida. “Em função da limitação de gastos imposta pela Emenda Constitucional 95, alguns investimentos já reduziram e vão se refletir num agravamento das estatísticas, com certeza. Esperamos que haja uma decisão política de mais investimentos na juventude e que a gente não tenha que estar aqui no futuro falando que piorou”, apontou.

Os piores índices estão nas regiões Norte e Nordeste do país, onde 54% e 60% das crianças e adolescentes, respectivamente, vivem em situação de pobreza. O estudo considera como pobres aqueles cujo rendimento mensal domiciliar per capita é de até meio salário mínimo – valor equivalente a R$ 477,00, considerando o atual salário mínimo de R$ 954. Já os extremamente pobres teriam rendimento mensal domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo – ou R$ 238,00.

Um dos tópicos do estudo Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil trata da gravidez precoce. Segundo o documento, 17,5% dos bebês nascidos no país em 2016 foram de mães adolescentes. As regiões Nordeste e Sudeste lideram os índices de gravidez antes dos 19 anos de idade, com 167 mil e 161 mil partos, respectivamente. Jovens ou não, o acesso às consultas no pré-natal também é um problema. De acordo com o Ministério da Saúde, quase um terço – 32,2% – das mães brasileiras foram menos de sete vezes ao médico para acompanhar a saúde do bebê durante a gestação. No Nordeste, esse percentual chega a 40% de mães com acompanhamento inadequado de pré-natal.

Após o parto, o baixo índice de aleitamento materno e a falta de acesso à alimentação de qualidade acabam impactando a nutrição da criança em seus primeiros anos de vida. Em 2017, 12,5% da população entre 0 a 5 anos no Brasil tinha a altura baixa ou muito baixa para a sua idade, sendo o maior percentual de ocorrências no Nordeste, com 18% de suas crianças em situação de desnutrição.

A violência é outro sério problema a afetar as crianças e adolescentes. Dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, revelam que as principais formas de violência contra as crianças são a negligência, a violência psicológica, violência física e violência sexual, sendo comum a vítima sofrer vários tipos dessas agressões simultaneamente.

O estudo da Fundação Abrinq mostra que 18,4% dos homicídios cometidos no Brasil em 2016 foram contra menores de 19 anos de idade. O Nordeste concentra a maior proporção de homicídios de crianças e jovens por armas de fogo – 85% –, superando, inclusive, a estatística nacional, com 19,8% de jovens vítimas de homicídios sobre o total de ocorrências na região.

“Acreditamos que as crianças e adolescentes devem ser foco prioritário de ação para os países comprometidos com o desenvolvimento sustentável, com a redução da pobreza e das desigualdades e com a promoção de sociedades mais justas e pacíficas”, afirma Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq.

Confira o documento na íntegra clicando aqui. (Com Fundação Abrinq, Brasil de Fato e Portal Sul21)

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